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O caso de Phineas Gage, a área de Broca e área de Werneck.


Se quiser assistir à forte cena do acidente com Phineas Gage (1823 – 1860), abaixo tem um vídeo de uma representação do acidente. Para além do acidente, tem bastante conteúdo no vídeo.


Trechos do documentário "The Brain - 2nd edition - Frontal Lobes and Behavior: The Story of Phineas Gage"



O ferro entrou abaixo do olho e saiu na parte superior esquerda do crânio de Gage, arrancando uma parte do córtex esquerdo frontal.


Dois meses depois, Gage havia se recuperado o suficiente para voltar a viver sozinho, mas não conseguiu voltar àquele trabalho e sua personalidade mudou drasticamente. Gage, que havia sido um líder comunitário consciencioso e respeitado (era, inclusive, o supervisor da equipe de construção da linha de ferro), tornou-se muito diferente para a comunidade (MACMILLAN, 1986 apud GOODWIN, 2005).

O caso de Gage sugeriu que a observância de convenções sociais e regras éticas previamente adquiridas poderiam ser perdidas como resultado de uma lesão cerebral, mesmo quando nem o intelecto de base nem a linguagem mostravam estar comprometidos.


Um de seus médicos, John Harlow, era simpatizante da frenologia e viu no caso uma confirmação da crença frenológica (GOODWIN, 2005). No entanto, conforme Damásio (1996), Harlow não se baseou na frenologia para justificar suas interpretações referentes à mudança de Gage.


Sobre a frenologia, Damásio (1996) escreveu que aquilo que veio a ser conhecido como frenologia viu a luz do dia como “organologia”, tendo sido fundada por Franz Joseph Gall no final do século XVIII. Gall defendeu que o cérebro era constituído por um agregado de muitos órgãos e que cada um deles possuía uma faculdade psicológica específica. Não só se distanciou do pensamento dualista vigente, que separava completamente a mente da biologia, como também pensou corretamente que existiam muitas partes que formam o que se chamava cérebro.


Temos de reconhecer as contribuições trazidas por Gall, por outro lado, também devemos censurar as propostas absurdas da frenologia, como, por exemplo, a ideia de que é possível ler o caráter com base nas protuberâncias da cabeça das pessoas, desprezo pelos exemplos que contradiziam as conclusões, etc.


Afirmação referente à hipótese do caso Gage.


Naquela época do caso de Gage, os neurologistas Paul Broca, na França, e Karl Wernick, na Alemanha, chamaram a atenção do mundo da medicina com estudos sobre doentes com lesões cerebrais. Broca e Wernick propuseram que a lesão de uma área bem circunscrita no cérebro constituía a causa das recentes disfunções linguísticas adquiridas por esses doentes. No entanto, o trabalho de Harlow sobre Gage não recebeu a mesma atenção (DAMÁSIO, 1996).



Com as fotos obtidas em 1992 e toda a pesquisa realizada, hoje podemos confirmar a hipótese referente ao caso Gage de que, apesar da quantidade de cérebro perdida, o ferro não atingiu as regiões cerebrais necessárias para as funções motoras e para a linguagem. As áreas intatas de ambos os hemisférios incluem os córtices motor e pré-motor, assim como o opérculo frontal, no lado esquerdo, designado por área de Broca (DAMÁSIO, 1996).


Não existem “centros” individuais para a visão, para a linguagem ou ainda para a razão ou para o comportamento social. O que na realidade existe são “sistemas” formados por várias unidades cerebrais interligadas (DAMÁSIO, 1996).



Indico o post no qual cito Descartes: Sentidos, percepção, pensamentos, razão, sentimentos e emoções.


Referências

DAMÁSIO, A. R. O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. Tradução de Dora Vicente e Georgina Segurado. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.


GOODWIN, C. James. História da Psicologia Moderna. Tradução de Marta Rosas. 2ª ed. São Paulo: Cultrix, 2005.



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