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As atitudes facilitadoras de crescimento psicológico propostas pela Abordagem Centrada na Pessoa


Empatia, congruência e aceitação são atitudes facilitadoras de crescimento psicológico. “Por este crescimento, Rogers entendia movimento na direção da autoestima, flexibilidade, respeito por si e pelos outros” (KRAMER, 1995).


Empatia


Na definição de Rogers, a empatia deixa de ser uma tendência para ser uma capacidade vivida, adquirida, elaborada, conquistada e pronta para ser utilizada. Nesse sentido, ela pode ser considerada como um instrumento de trabalho do terapeuta (JORDÃO, 1987, p. 46).


Um cliente no final de sua terapia provavelmente estará com sua atitude empática mais desenvolvida. Ele terá mais capacidade de se colocar no lugar do outro, sem se perder. Portanto, podemos afirmar que a empatia pode ser desenvolvida e pode ser considerada como um padrão de crescimento (JORDÃO, 1987, p. 48).


Mivahara, Moreno e Oliveira (2020) discorrem que a compreensão empática é, basicamente, a capacidade imprescindível de tentar compreender o outro pelo olhar do outro, entendendo seu contexto, a forma como ele se enxerga e se sente. É entender o outro, despindo-se de preconceitos e julgamentos. Quanto mais o indivíduo se sentir compreendido e não julgado, mais ele se sentirá seguro para ser ele mesmo.


Muitas vezes, em nome da empatia, corre-se o risco de manipular o outro. Afinal, uma pessoa pode acreditar que sabe o que o outro precisa mais do que ele próprio e fazer o possível para que ele se desenvolva naquilo que ela julga importante (MIVAHARA, MORENO e OLIVEIRA, 2020). Por esse e outros motivos que a empatia tem de ser elaborada.


Congruência


A congruência pressupõe que o terapeuta esteja em harmonia consigo mesmo, desta forma, o que ele pensa, sente e expressa se coincide, isto é, estão na mesma direção (BENEVIDES-PEREIRA, 2002, p. 254).


Rogers e Stevens (1978, p. 105 apud BENEVIDES-PEREIRA, 2002) dizem que, com a palavra congruência, querem dizer que os sentimentos que o terapeuta está vivenciando são acessíveis à sua consciência, que é capaz de viver estes sentimentos, senti-los na relação e capaz de comunicá-los, se isso for adequado.


Ninguém atinge totalmente esta condição, contudo, quanto mais o terapeuta é capaz de ouvir e aceitar o que ocorre em seu íntimo, e quanto mais é capaz de, sem medo, ser a complexidade de seus sentimentos, maior é o grau de sua congruência (ROGERS e STEVENS, 1978, p. 105 apud BENEVIDES-PEREIRA, 2002).


Aceitação positiva incondicional


Jordão (1987, p. 51) escreve que não há como falar em consideração positiva incondicional sem se referir a outras noções básicas da Abordagem Centrada na Pessoa: tendência atualizante do organismo e noção de liberdade experiencial.


A noção de tendência atualizante corresponde à seguinte proposição: "Todo organismo é movido por uma tendência inerente para desenvolver todas as suas potencialidades e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e seu enriquecimento" (ROGERS E KINGET, 1971a, p. 159 apud JORDÃO, 1987, p. 51).


A respeito da liberdade experiencial, Rogers e Kinget (1971, p. 46 apud JORDÃO, 1987, p. 51) dizem que “consiste no fato de que o indivíduo se sente livre para reconhecer suas experiências e sentimentos pessoais como ele os entende. Em outras palavras, supõe que o indivíduo não se sinta obrigado a negar ou a deformar suas opiniões e atitudes íntimas para manter a afeição ou o apreço das pessoas.”


A partir destas noções, podemos dizer que, se todo organismo tende para o crescimento e se para a atualização desta tendência ele precisa exercer sua liberdade experiencial, a consideração positiva incondicional é o suporte necessário para que isso possa acontecer (JORDÃO, 1987, p. 51).


É a capacidade imprescindível do facilitador em aceitar o outro incondicionalmente, independente do que o outro seja, fale, pense ou deseje. Não significa concordar com tudo. Quando o terapeuta não concorda, pode ser congruente e dizer como se sente na relação, se considerar adequado fazê-lo (MIVAHARA, MORENO e OLIVEIRA, 2020).


Sem deixar de oferecer à outra pessoa a chance de, além de condições para se sentir aceita e, assim, permanecer disponível na relação, para que possa se atualizar (MIVAHARA, MORENO e OLIVEIRA, 2020).


Rogers (1956/1995) escreveu: “Se aceito a outra pessoa como alguma coisa definida, já diagnosticada e classificada, já cristalizada pelo seu passado, estou assim contribuindo para confirmar essa hipótese limitada. Se a aceito num processo de tornar-se quem é, nesse caso estou fazendo o que posso para confirmar ou tornar real as suas potencialidades.”


A atitude de consideração positiva incondicional do terapeuta para com o cliente poderá resgatar sua autoestima e, posteriormente, reavivar o exercício de sua liberdade experiencial tão massacrada ou postulada por valores externos a si mesmo (JORDÃO, 1987, p. 51).


Através da consideração positiva do terapeuta, o cliente começa a ter consideração para consigo mesmo, voltando a ter fé no seu processo, movido pela energia de sua própria vivência experiencial (JORDÃO, 1987, p. 51).





"Não podemos mudar, não nos podemos afastar do que somos enquanto não aceitarmos profundamente o que somos" (Carl Rogers)

"Sinto-me mais feliz simplesmente por ser eu mesmo e deixar os outros serem eles mesmos" (Carl Rogers)




Referências bibliográficas



BENEVIDES-PEREIRA, A. M. T. Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. Prevenção e intervenção na síndrome de Burnout. In: Benevides-Pereira, A. M. T. (Org.). Como prevenir (ou remediar) o processo de Burnout. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.


JORDÃO, M. P. Reflexões de um terapeuta sobre as atitudes básicas na relação terapeuta-cliente. In: ROSENBERG, R. L. (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.


Kramer, P. D. Introdução. In: ROGERS, C. Tornar-se Pessoa. Tradução de Manuel J. C. F. e Alvamar L. São Paulo: Martins Fontes, 1995.


MIVAHARA, H. M; MORENO, A.; OLIVEIRA, M. A. Abordagem centrada na pessoa (ACP). In: Moreno, et al. (Org.). Sobre ser. Barueri, SP: Estação das Letras e Cores, 2020.

ROGERS, C. Tornar-se Pessoa. Tradução de Manuel J. C. F. e Alvamar L. São Paulo: Martins Fontes, 1995.



Foto inicial do Caso Glória




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