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Modelo das cinco fases do luto


O modelo de Kübler-Ross foi inicialmente desenvolvido com base em observações de pacientes terminais e pode ajudar tanto a pessoa que enfrenta a morte iminente quanto a enlutados de forma concreta ou simbólica. Entretanto, pode não se aplicar rigidamente a todas as situações de perda. Diferentes pessoas podem vivenciar o luto de maneiras distintas, e as fases podem não ocorrer na ordem específica proposta.


As cinco fases do luto, conforme proposto por Kübler-Ross (1996), são:


1. Negação: a pessoa tem dificuldade em aceitar a realidade da perda. Pode haver um sentimento de choque e incredulidade.


“Ao tomar conhecimento da fase terminal de sua doença, a maioria dos mais de duzentos pacientes que entrevistamos reagiu com esta frase: “Não, eu não, não pode ser verdade”. ” (KÜBLER-ROSS, 1996).


“Uma de nossas pacientes descreveu um longo e dispendioso ritual, como dizia ela, para assumir sua negação. Estava convicta de que as radiografias haviam sido trocadas” (KÜBLER-ROSS, 1996).



2. Raiva: a negação dá lugar à raiva, onde a pessoa pode questionar porque está acontecendo com ela. E experimentar sentimentos de frustração e injustiça.


Conforme Kübler-Ross (1996), “quando não é mais possível manter firme o primeiro estágio de negação, ele é substituído por sentimentos de raiva, de revolta e de ressentimento”.



3. Negociação/Barganha: em uma tentativa de recuperar o que foi perdido, a pessoa pode tentar negociar consigo mesma, com Deus ou com outros buscando reverter ou diminuir a magnitude da perda.


“Se, no primeiro estágio, não se consegue enfrentar os tristes acontecimentos e se revolta contra Deus e as pessoas, supõem-se que talvez possa ser bem-sucedido na segunda fase, entrando em algum tipo de acordo que adie o desfecho inevitável: “Se Deus decidiu levar-me deste mundo e não atendeu a meus apelos cheios de ira, talvez seja mais condescendente se apelar com calma”.” (KÜBLER-ROSS, 1996).



4. Depressão: a aceitação da realidade pode levar a sentimentos de tristeza profunda e depressão. A pessoa pode se sentir sobrecarregada pelo peso da perda.


“Se deixarmos que exteriorize seu pesar, aceitará mais facilmente a situação e ficará agradecido aos que puderem estar com ele neste estado de depressão sem repetir constantemente que não fique triste” Kübler-Ross (1996).


“Este segundo tipo de depressão geralmente é silencioso, em contraposição ao primeiro, que requer muita conversa e até intervenções ativas por parte dos outros em muitos assuntos, e o paciente tem muito a comunicar” (KÜBLER-ROSS, 1996).



5. Aceitação: nesta fase, a pessoa começa a aceitar a realidade da perda e a se ajustar a uma vida que chega ao fim, ou sem a pessoa ou objeto perdido.


“Um paciente que tiver tido o tempo necessário (isto é, que não tiver tido uma morte súbita e inesperada) e tiver recebido alguma ajuda para superar tudo conforme descrevemos anteriormente, atingirá um estágio em que não mais sentirá depressão nem raiva quanto a seu “destino”.” (KÜBLER-ROSS, 1996).


“Terá podido externar seus sentimentos. (…) Terá lamentado a perda iminente de pessoas e lugares queridos e contemplará seu fim próximo com certo grau de tranquila expectativa” (KÜBLER-ROSS, 1996).


“Não se confunda aceitação com um estágio de felicidade. (…) À medida que ele, às vésperas da morte, encontra certa paz e aceitação, seu círculo de interesse diminui. E deseja (…) que não o perturbem com notícias e problemas do mundo exterior. (…) Geralmente pede que seja limitado o número de visitantes e prefere visitas curtas” (KÜBLER-ROSS, 1996).


“Há alguns pacientes que lutam até o fim, que se debatem e se agarram à esperança, tomando impossível atingir este estágio de aceitação. Chega o dia em que dizem que não podem mais resistir” (KÜBLER-ROSS, 1996).


“Em outras palavras, quanto mais se debatem para driblar a morte inevitável, quanto mais tentam negá-la, mais difícil será alcançar o estágio final de aceitação com paz e dignidade” (KÜBLER-ROSS, 1996).




Referência bibliográfica


KÜBLER-ROSS, E. SOBRE A MORTE E MORRER: o que os doentes têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 72 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

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