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Sentidos, percepção, pensamentos, razão, sentimentos e emoções.

“O rico potencial do ser humano busca suprir quaisquer perdas. Muito difícil para uns, um pouco menos para outros. Fácil, para ninguém.” (Dorina Nowill)


A sociedade tem que apoiar as formas de acessibilidade e inclusão social.


Uma vez escutei o seguinte numa palestra: “vamos imaginar que vocês tivessem que escolher um dos cinco sentidos para se desprover por um mês, qual vocês escolheriam?” Não foi fácil pensar num sentido para me desprover, mesmo nos sendo dito pelo palestrante que às vezes os sentidos nos influenciam a fazer interpretações irreais.


O racionalista Descartes (1596-1650) discorreu que não se pode conhecer através da percepção sem compreender a essência da coisa através do pensamento racional.


Ele buscava explicar um conceito de ideias inatas e expressava de modo filosófico que os sentidos podem nos enganar.


Abaixo, uma imagem interessante.


Essas duas imagens do sujeito que está de frente são idênticas.

Diferente da consideração dos racionalistas, a dos empiristas é a de que a fonte do conhecimento é a experiência sensorial. John Locke (1632-1704) é conhecido pelo conceito de tábua rasa e pela frase “Não existe nada no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”.

Em Kant, há uma síntese de conceitos do racionalismo e empirismo.


Vários estudiosos da epistemologia genética, entre eles Zélia Chiarottino e Bárbara Freitag, têm refletido sobre a influência da filosofia kantiana no pensamento de Jean Piaget (Palangana, 2015).

A percepção é permeada por vários fatores, como, por exemplo, o contexto, a experiência passada e a memória. Conforme o dicionário da APA, percepção é o processo ou resultado de se tornar consciente de objetos, relacionamentos e eventos por meio dos sentidos, o que inclui atividades como reconhecer, observar e distinguir. Essas atividades permitem que se organize e interprete os estímulos recebidos em conhecimento significativo e atuem de modo coordenado.


“Penso, logo existo” é um aforismo conhecido de Descartes. Em sua obra, ele cita emoções, sentimentos e percepções como pensamentos.


Ele escreveu: “Depois de haver considerado no que as paixões da alma diferem de todos os seus outros pensamentos, parece-me que podemos em geral defini-las por percepções, ou sentimentos, ou emoções da alma, que referimos particularmente a ela, e que são causadas, mantidas e fortalecidas por algum movimento dos espíritos” (DESCARTES, 1649/1973, p. 227).


Descartes considerava as paixões como boas por natureza (Art. 211). Ele escreveu o que considerava mau uso das paixões e seus excessos.


Indico o seguinte vídeo que explica os espíritos que Descartes se refere nessa citação:



O neurocientista Damásio é o grande crítico da concepção dualista (corpo e mente/alma) de Descartes e do mecanicismo deste.


Houve reações de pessoas defendendo Descartes das críticas de Damásio. Tem uma reação nesta página: http://www.ipv.pt/millenium/ect2_mjf.htm

Considera-se que a concepção da natureza sendo vista como máquina tenha trazido contribuição, mas essa concepção é muito criticada. Segundo Schultz (2009), "vemos com Descartes a ideia do mecanismo aplicada ao corpo humano. Mas a filosofia mecanicista exercia uma influência tão penetrante que foi apenas uma questão de tempo para que fosse aplicada também à mente humana. Com isso, houve uma redução da mente a uma máquina".




Termos escritos na cabeça da capa: verstand (mente, a qual Descartes acreditava ser imaterial e se unir ao corpo na glândula pineal), vernunff (razão, que Descartes acreditava ser atributo da mente), wille (vontade), auge (olho), ohr (ouvido), muskelzentrale (músculo central ou sede…), drüsenzentrale (glândula central), nervenzentrale (nervo central).







Damásio escreveu que um dos conceitos sobre emoção e sentimento diz que a emoção é expressão e pode ser vista pelos outros, por exemplo, o riso e o choro. E sentimento neste conceito é relativo ao mundo privado, isto é, não sabemos o que as pessoas estão sentindo, a não ser que queiram nos falar e o façam. A emoção pode ser bem breve, ao passo que o sentimento pode perdurar.


Conforme Damásio, das emoções nascem sentimentos e estes contribuem para o processo de cognição.

Fundamentado em seu estudo de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências na tomada de decisão e distúrbios da emoção, Damásio construiu a hipótese (conhecida como hipótese do marcador somático) na qual emoção é vista como parte integrante do processo de raciocínio e poderia auxiliar esse processo ao invés de, como se costumava supor, necessariamente perturbá-lo” (DAMÁSIO, 1996).


A emoção tem função de equilibrar o organismo e conservar a vida. Porém, a forma que pensamos pode gerar emoções e sentimentos que atrapalham nossa vida.


Conforme a abordagem Cognitiva-Comportamental, não é a situação em si que determina a emoção, mas a maneira que a pensamos. Cada pessoa pensa as situações de modo diferente.


Se uma pessoa se deparasse com o leão que foi abraçado por um biólogo, teria um esvaziamento para correr mais rápido. O biólogo pensa sobre tal leão de modo diferente, inclusive pode ser que ele diga que seria errado correr na situação.


Há as emoções universais, como, por exemplo, alegria, medo e tristeza.


Referências bibliográficas

DAMÁSIO, A. R. O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. Tradução de Dora Vicente e Georgina Segurado. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.


DESCARTES, R. Paixões da alma. Coleção Os Pensadores, vol. XV. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Jr. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 227.

PALANGANA, Isilda C. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vigotski: a relevância do social. 6. ed. São Paulo: Summus, 2015.


SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. Tradução de Suely Sonoe Murai Cuccio. São Paulo: Cengage Learning, 2009.




Imagens por Pixabay






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