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Psicologia Social.

O tema psicologia social é muito vasto. Neste post, fiz um resumo numa linguagem fácil de compreender.


Conforme Myers (2014), a psicologia social é o estudo científico do pensamento social, da influência social e das relações sociais.


Do pensamento social

Como percebemos a nós mesmos a aos outros

Em que acreditamos

Julgamentos que fazemos

Nossas atitudes


Da influência social

Cultura

Pressão e conformação

Persuasão

Grupos de pessoas


Das relações sociais

Preconceito

Agressão

Atração e intimidade

Ajuda



De acordo com Lane (2006), o enfoque da psicologia social é estudar o comportamento de indivíduos no que ele é influenciado socialmente. E isto acontece desde o momento em que nascemos, ou mesmo antes do nascimento, enquanto condições históricas que deram origem a uma família, a qual convive com certas pessoas, que sobrevivem trabalhando em determinadas atividades, as quais já influenciam no modo de encarar e cuidar da gravidez e no que significa ter um filho.


“A influência histórica-social se faz sentir, primordialmente, pela aquisição da linguagem. As palavras, através dos significados atribuídos por um grupo social, por uma cultura, determinam uma visão de mundo, um sistema de valores e, consequentemente, ações, sentimentos e emoções decorrentes” (LANE, 2006).


A psicologia social estuda a relação essencial entre o indivíduo e a sociedade, esta entendida historicamente, desde como seus membros se organizam para garantir sua sobrevivência até seus costumes, instituições e valores necessários para a continuidade da sociedade (LANE, 2006).

Tozoni-Reis (1984) escreve que, para alguns, a família é a base da sociedade e garantia de uma vida social equilibrada, célula sagrada que deve ser mantida intocável a qualquer custo. Para outros, a instituição familiar deve ser repensada, pois representa um entrave ao desenvolvimento social; é algo bastante nocivo, é o local onde as neuroses são fabricadas e onde se exerce a mais implacável dominação sobre as crianças e as mulheres.


No entanto, o que não pode ser negado é a importância da família tanto ao nível das relações sociais, nas quais ela se inscreve, quanto ao nível da vida emocional de seus membros. É na família, mediadora entre o indivíduo e a sociedade, que aprendemos a perceber o mundo e a nos situarmos nele. É a formadora da nossa primeira identidade social. Ela é o primeiro "nós" a quem aprendemos a nos referir (TOZONI-REIS, 1984).


A educação também é institucionalizada. Princípios, objetivos, conteúdos, direitos e deveres são definidos pelo governo a fim de garantir que, em todos os seus níveis, ela reproduza conhecimentos e valores, necessários para a transmissão harmoniosa da cultura, produzida por gerações anteriores, para as novas, garantindo o desenvolvimento de novos conhecimentos, necessários para o progresso do país (LANE, 2006).


Conforme Lane (2006), a grande preocupação atual da psicologia social é conhecer como o homem se insere no processo histórico, não apenas em como ele é determinado, mas principalmente, como ele se torna agente da história, ou seja, como ele pode transformar a sociedade em que vive. A história não é estática nem imutável, ao contrário, ela está sempre acontecendo, cada época gerando o seu contrário, levando a sociedade a transformações fundamentalmente qualitativas.


Abaixo, imagem da obra de Myers (2014) referente a algumas das grandes ideias na psicologia social.





Abaixo, vídeo do CRP SP sobre psicologia social no Brasil.


É importante destacar o desenvolvimento de uma psicologia social latino-americana comprometida em resolver problemas sociais e melhorar a vida das classes sociais mais desfavorecidas. Entre as contribuições mais importantes dessa psicologia social realizadas na América Latina estão o trabalho enquadrado na psicologia social da libertação e na psicologia social da comunidade, na qual a figura de Ignacio Martín-Baró (1986 – 2011) é de especial importância (ÁLVARO e GARRIDO, 2006).


Na sequência, apresentarei o resumo da obra Psicologia Social: perspectivas psicológicas e sociológicas.


Os autores dessa obra são Alicia Garrido e José Luiz Álvaro. No decorrer do resumo citarei outras referências.


No capítulo inicial foram descritos alguns dos principais conceitos do pensamento psicológico e sociológico desenvolvidos durante a segunda metade do século XIX. Esta época foi escolhida como ponto de partida para a descrição da evolução histórica da psicologia social porque tanto a psicologia como a sociologia começaram a se consolidar como disciplinas científicas independentes, sendo também nesse período que ambas começaram a questionar o problema de suas relações recíprocas.


Nesse período, a tarefa que tanto a psicologia quanto a sociologia tinham pela frente era encontrar uma maneira de legitimar sua existência como disciplinas independentes da filosofia, à qual até então tinham estado vinculadas. Este processo se viu fortemente condicionado pelo auge que foi adquirindo o positivismo durante o século XIX.


A consolidação definitiva da psicologia como disciplina científica independente teve lugar na Alemanha, e foi fundamental o trabalho de Wilhelm Wundt (1832 – 1920) nesse processo. Ele era médico e filósofo. Wundt rejeitou o objeto de estudo do qual até aquele momento tinha se ocupado a psicologia filosófica, a alma, e propôs um novo campo de trabalho para a psicologia, o estudo da mente, mais facilmente abordável a partir das hipóteses do positivismo.


O principal centro das polêmicas, no caso da psicologia, tornou-se o uso da experimentação para abordar o estudo da mente. O próprio Wundt foi mudando progressivamente suas abordagens iniciais e desaconselhou o uso da experimentação para o estudo dos processos mentais superiores. Wundt compreendia estas duas áreas: a psicologia experimental, centrada no estudo dos processos mentais básicos e com uma forte base fisiológica, e a Völkerpsychologie, centrada nos estudos dos processos mentais superiores, e com uma forte base social. A Völkerpsychologie, um claro antecedente da psicologia social, não teve, entretanto, grande aceitação na psicologia da época, por causa da forte influência metodológica do positivismo.


Hermann Ebbinghaus (1850 – 1917) pesquisou experimentalmente a aprendizagem e a memória, opondo-se a Wundt.

Em relação à sociologia, seu reconhecimento como disciplina científica independente esteve vinculado à sociologia francesa e, mais concretamente, ao trabalho de Émile Durkheim (1858 – 1917). De modo semelhante a Wundt, Durkheim propôs uma redefinição do objeto de estudo e dos métodos da sociologia. A sociologia deveria dedicar-se ao estudo de fatos sociais, que deveriam ser considerados como se fossem coisas, fenômenos objetivos externos ao sociólogo. No que se refere à metodologia, Durkheim assumiu a tese da unidade da ciência e defendeu a ideia de que a sociologia deveria procurar a objetividade, que se obteria com a separação entre o sociólogo e a realidade estudada. O fato de considerar os fatos sociais como uma realidade objetiva independente dos indivíduos colocou Durkheim em oposição com outros sociólogos da época.

Do ponto de vista da psicologia social, é especialmente relevante a contribuição de Gabriel Tarde (Sarlat, 1843 – Paris, 1904), um dos primeiros teóricos que estudou a imitação como um dos principais mecanismos explicativos do comportamento social.


As teorias dos britânicos Charles Darwin (1809 – 1882) e, sobretudo, as de Herbert Spencer (1820 –1903) tiveram um forte impacto na psicologia e na sociologia da época. Por um lado, a psicologia retoma o estudo dos instintos sem negar, contudo, a influência que exerce o ambiente sobre o comportamento. Por outro lado, essas ideias determinaram também uma mudança de rumo da psicologia, que deixou de se interessar no estudo da estrutura da mente, para começar a prestar atenção na perspectiva evolutiva dela e suas funções. No caso da sociologia, foi principalmente a teoria evolucionista de Spencer que embasou uma concepção de evolução social baseada na ideia da sobrevivência do mais apto. Estas ideias adquiriram um desenvolvimento especial nos Estados Unidos.


Lá a evolução das ciências sociais se produziu mais tarde do que na Europa. A psicologia experimental de Wundt, transmitida nos Estados Unidos através e ao modo de Titchener, e a sociologia de Spencer, adotada por Summer e Ward, foram respectivamente as primeiras bases teóricas da psicologia e a sociologia americanas. Deve-se destacar, no entanto, que ambos os sistemas originais duraram pouco.


Embora as ciências sociais norte-americanas começassem a se edificar sobre a base de ideias teóricas importadas da Europa, estas foram logo submetidas a um processo de seleção e reinterpretação. O primeiro produto deste processo foi o pragmatismo, primeira filosofia propriamente norte-americana, cujo desenvolvimento daria lugar à psicologia funcionalista e à sociologia da Escola de Chicago.

No capítulo 2, foi analisado o modo pelo qual a psicologia social foi se diferenciando de forma independente como uma disciplina. Um processo que teve lugar durante as primeiras décadas do século XX. A simultaneidade com que foi se desenvolvendo o pensamento psicossociológico em ambas as áreas não é o único exemplo da pluralidade que caracterizou a psicologia social nessas etapas iniciais.


Tanto na psicologia quanto na sociologia criaram-se diferentes linhas de desenvolvimento da psicologia social que significavam modos diferentes de entendimento da disciplina.


Um dos caminhos pelos quais seguiu o desenvolvimento da psicologia social na psicologia foi a psicologia dos povos. Wundt a retomou durante as duas primeiras décadas do século XX. Seu desenvolvimento havia começado na segunda metade do século XIX. Wundt a considerou uma alternativa à psicologia experimental. Ao mesmo tempo, surge também na Alemanha a psicologia da Gestalt, uma corrente psicológica que exerceria uma grande influência no desenvolvimento posterior da psicologia social.


Durante a etapa inicial, a principal linha de desenvolvimento da psicologia social psicológica foi a desenvolvida em torno da teoria dos instintos. Sob a influência das teorias evolucionistas, surgiu na psicologia um crescente interesse pelo estudo das bases inatas do comportamento.


O exemplo mais representativo dessa maneira de entender a psicologia social é o trabalho do britânico William McDougall (1871 – 1938), autor do primeiro manual de psicologia social escrito por um psicólogo. A ideia de que grande parte do comportamento humano pode ser explicada recorrendo a fatores como o instinto ou a herança genética teve tanta influência que, nas primeiras décadas do século XX, a psicologia social chegou a ser identificada com as teorias dos instintos. Todavia, essa linha de trabalho foi abandonada devido, entre outros fatores, ao surgimento de uma nova corrente teórica da psicologia, o behaviorismo, cujos princípios foram introduzidos na psicologia social pelo norte-americano Floyd Allport (1890 – 1978).


No mesmo ano de publicação do manual de McDougall surgiu o primeiro manual de psicologia social procedente da sociologia. Trata-se do manual do sociólogo norte-americano Edward Ross (1866 – 1951). Reunindo algumas das ideias da teoria social francesa de meados do século XIX, Ross explica o comportamento social recorrendo ao conceito de imitação.


Depois dos manuais de McDougall e Ross, foram surgindo outros textos de psicologia social, a maior parte procedia do campo da sociologia. Na análise da psicologia social das primeiras décadas do século XX, é necessária uma menção particular aos trabalhos desenvolvidos por Charles Cooley (1864 – 1929) e por alguns sociólogos vinculados à Escola de Chicago. Fortemente influenciados pelo pragmatismo, os sociólogos da Escola de Chicago desenvolveram uma linha de trabalho que se tornaria a base do interacionismo simbólico, principal teoria da psicologia social sociológica.


Embora tenha sido nos Estados Unidos que a psicologia social começou a ser definida como uma especialidade da sociologia, também a sociologia europeia de princípios do século XX nos oferece alguns antecedentes importantes da psicologia social. A microssociologia dos autores alemães como Max Weber (1864 – 1920) ou Georg Simmel (1858 – 1918) são claros exemplos de um pensamento psicossociológico na sociologia.


Conforme Gabler (2015, p. 148), a análise de cima para baixo, ou macrossociológica, é o estudo dos grupos sociais considerados como unidades inteiras. Por exemplo, o argumento de Karl Marx sobre a ascensão histórica do capitalismo e o argumento de Max Weber sobre o aumento da racionalidade em toda a sociedade são todos argumentos macrossociológicos. Quando Émile Durkheim disse que os sociólogos precisavam focar nos "fatos sociais", na verdade, dizia que eles deveriam prestar atenção ao panorama geral em vez de aos indivíduos na sociedade.


A análise de baixo para cima, ou microssociológica, é o estudo dos indivíduos em seus mundos sociais. As pesquisas da Escola de Chicago sobre pessoas de diferentes grupos interagindo na rua eram estudos em microssociologia e, quando Erving Goffman escreveu sobre as diferentes "máscaras' usadas em diferentes contextos sociais, esse foi um argumento microssociológico (GABLER, 2015, p. 148).


No capítulo 3, foi analisado o desenvolvimento teórico da psicologia social nas décadas de 1930 e 1940. Da mesma forma, foi realizada uma análise das principais características metodológicas da pesquisa empírica realizada durante esse período. O desenvolvimento teórico e metodológico da psicologia social foi grandemente influenciado pela predominância que o positivismo lógico (neopositivismo) adquiriu durante essa época. Essa corrente, que dominou a filosofia da ciência até a década de 1960, significou a aceitação da tese da unidade da ciência. Sua visão era de que o conhecimento derivado das ciências sociais, como o das ciências naturais, tinha que atender ao requisito de verificabilidade e deveria proceder da aplicação de seu método.


O nascimento da sociologia do conhecimento viria a questionar muitas das suposições básicas do positivismo. Karl Mannheim (1893 – 1947) ocupa um lugar central nessa crítica ao positivismo e na ideia positivista de uma ciência objetiva, independente da ideologia e da perspectiva do observador. Também, os teóricos da Escola de Frankfurt se aprofundaram na crítica da concepção positivista da ciência e defendia um pensamento dialético que ultrapassava a ideia da ciência como técnica, como mero conhecimento analítico obtido através da operacionalização de conceitos.


Na psicologia, a corrente teórica que melhor se enquadra nos requisitos de cientificidade das visões neopositivistas é o behaviorismo. O programa delineado em 1913 pelo norte-americano John Broadus Watson (1878 – 1958) resultou em neocondutismo, que exerceu uma influência hegemônica na psicologia até a década de 1960.


A maioria de seus representantes pretendia chegar a uma teoria geral do comportamento e abordou o estudo da aprendizagem sem levar em conta, em geral, a intervenção da consciência ou dos processos mentais superiores. A psicologia social permaneceu relativamente alheia à influência dessa corrente, o que não significa que não houve tentativas de aplicar os princípios do neocondutismo à análise do comportamento social.


Era, no entanto, um neocondutismo sutil, no qual alguns conceitos de natureza mentalista eram acomodados. As contribuições mais representativas da psicologia social neobehaviorista durante esse período foram a teoria da frustração-agressão (DOLLARD et al., 1939 apud ÁLVARO e GARRIDO, 2006), na qual alguns conceitos derivados da psicanálise foram integrados ao esquema comportamental, e a teoria da imitação da aprendizagem (MILLER e DOLLARD, 1941 apud ÁLVARO e GARRIDO, 2006).


A dificuldade de abordar o estudo do comportamento social rejeitando a intervenção da consciência ou processos mentais superiores, tornou a psicologia social mais influenciada pela Escola da Gestalt, cujos princípios foram introduzidos através da teoria de campo de Kurt Lewin e, acima de tudo, através do estudo experimental que esse autor fez sobre o comportamento grupal.


Outras contribuições teóricas, como o estudo experimental da memória realizado por Frederic Bartlett (1886 – 1969) na Grã-Bretanha ou as investigações do bielorrusso Lev Vygotsky (1896 – 1934) e colaboradores sobre a gênese cultural da consciência e dos processos cognitivos, tiveram uma influência marginal e tiveram que esperar até 1960, quando o behaviorismo entrou em crise, de modo que a psicologia social começou a recuperá-los.


Diferentemente do que aconteceu por volta de 1920, onde a psicologia social adquiriu maior desenvolvimento na sociologia, a partir de aproximadamente 1930 em diante, é a psicologia social psicológica que passa por uma evolução mais rápida. O fato de a psicologia se encaixar melhor nos cânones científicos do positivismo lógico foi um dos fatores que explicam a evolução diferencial das duas disciplinas. O interacionismo simbólico, por exemplo, experimentou pouco desenvolvimento durante esse estágio.


No capítulo 4, os autores analisaram a evolução da psicologia social nas décadas de 1950 e 1960. Uma das características que define esse período é que, tanto na psicologia quanto na sociologia, começou a ficar claro que a pretensão de chegar a uma grande teoria explicativa que pudesse dar conta do comportamento humano não alcançara os resultados esperados. Na psicologia, esse momento coincidiu com a crise do behaviorismo, enquanto na sociologia se refletiu na crise do funcionalismo estrutural. De certa forma, pode-se dizer que a psicologia social foi favorecida pela crise de ambos os sistemas.


A dificuldade envolvida em chegar a uma explicação do comportamento social sem se referir à consciência ou à intervenção de processos mentais fez com que os psicólogos sociais se afastassem das abordagens neocondutistas e buscassem seus referenciais teóricos nas ideias da Escola da Gestalt.


Quando os princípios derivados dos estudos gestaltistas sobre percepção foram aplicados ao campo da psicologia social, surgiu uma importante linha de pesquisa sobre percepção social, iniciada com o trabalho de Solomon Asch (1907 – 1996) e Fritz Heider (1896 – 1988), e que resultou, por influência deste último, na década de 1960, às teorias de atribuição.


Por outro lado, no âmbito da psicologia social gestáltica, surgiu também uma importante linha de pesquisa sobre influência social, que indiretamente, já na década de 1960, seria motivo de reflexão em estudos de Stanley Milgram (1933 – 1984) sobre obediência à autoridade. Além disso, como resultado da influência através de Heider foi desenvolvida a teoria da dissonância cognitiva pelo psicólogo Leon Festinger (1919 – 1989), que foi o modelo teórico que inspirou a maior parte da investigação da psicologia social psicológica ao longo dos anos 1960.


O fato da Escola da Gestalt ser a principal fonte de inspiração teórica da psicologia social nessa etapa não significa que a psicologia social permaneceu totalmente alheia à influência do behaviorismo. No contexto da psicologia neocondutista, surgiram algumas linhas importantes de pesquisa empírica que contribuíram significativamente para o desenvolvimento não apenas empírico, mas também teórico da psicologia social.


Os estudos sobre a mudança de atitudes realizados por Carl Hovland (1912 – 1961) e seus colaboradores da Universidade de Yale são um exemplo das contribuições da psicologia social neocomportamental. O mesmo se aplica à teoria de facilitação social de Robert Zajonc (1923 – 2008). A teoria do aprendizado social de Albert Bandura, bem como o trabalho sobre o desamparo aprendido de Martin Seligman, também constituem um bom exemplo da influência do neocondutismo na psicologia social.

Em todos esses casos, é um behaviorismo matizado, no qual conceitos de outras abordagens já haviam sido integrados e no qual já começava a admitir que a aprendizagem humana não podia ser explicada ignorando completamente a intervenção da consciência e processos mentais superiores. Na verdade, era um behaviorismo que começara a entrar em crise. Uma crise que, de certa forma, viu-se acelerada quando os psicólogos sociais fizeram as primeiras tentativas de usar os princípios do behaviorismo para explicar o aprendizado social humano.

A influência do neocondutismo também levou ao desenvolvimento das teorias da troca, um desenvolvimento teórico que surgiu ao mesmo tempo na psicologia (THIBAUT e KELLEY, 1959 apud ÁLVARO e GARRIDO, 2006) e na sociologia (HOMANS, 1961; BLAU, 1964 apud ÁLVARO e GARRIDO, 2006). As teorias da troca tinham um significado diferente para a psicologia social psicológica e para a psicologia social sociológica. A aceitação dos princípios do behaviorismo significava, no primeiro caso, a aceitação da abordagem dominante na psicologia. No segundo caso, pelo contrário, a análise dos intercâmbios sociais a partir dos pressupostos do behaviorismo foi um desafio à concepção teórica mais difundida na sociologia, que era o funcionalismo estrutural.


Embora o enfoque funcionalista não seja necessariamente incompatível com a adoção de uma perspectiva psicossociológica, a verdade é que, durante o tempo em que exerceu sua influência hegemônica na sociologia, a psicologia social sociológica teve desenvolvimento deficiente.


A predominância da perspectiva macrossociológica, à qual o funcionalismo deu prioridade, fez com que durante esse período se tornassem relativamente marginalizados, dentro da sociologia, todas as perspectivas que enfatizavam a análise da interação social e de processos microssociológicos. Algo que, sem dúvida, afetou a psicologia social sociológica.


Parsons acreditava bastante na visão de Durkheim sobre a sociedade, e mantinha uma visão funcionalista. Os fenômenos sociais são explicados no funcionalismo por meio de referências ao propósito que servem: se certo fenômeno, como a educação ou religião, for observado em muitas sociedades diferentes, ele deve estar ali por algum motivo. Ele deve fazer algo pela sociedade, senão, não existiria (GABLER, 2015).


Nas décadas de 1950 e 1960, mesmo antes do funcionalismo entrar em crise, começaram a se desenvolver algumas correntes teóricas que favoreciam o desenvolvimento da microssociologia. Além das teorias do intercâmbio mencionadas, os desenvolvimentos do interacionismo simbólico nas Universidades de Chicago e Iowa, a sociologia fenomenológica de Schutz (1899 – 1959), a abordagem dramatúrgica de Goffman (1922 – 1982) e a etnometodologia de Garfmkel (1917 – 2011) foram analisados no capítulo 4. Juntas, essas perspectivas teóricas da sociologia contribuíram para o desenvolvimento da microssociologia, interessada na análise da interação social e nos significados que as pessoas atribuem à sua ação. Uma tradição de pensamento cujas raízes estão nas contribuições de Simmel, Thomas e Mead.


Da mesma forma, deve-se notar que algumas das teorias sociológicas descritas contribuíram decisivamente para o estudo dos papéis sociais. Funcionalistas como Parsons ou Merton e interacionistas simbólicos como Blumer, Tumer, McCall e Simons seriam responsáveis, entre outros sociólogos, por desenvolver no período analisado o que conhecemos como teoria de papéis e que, em grande medida, é uma contribuição sociológica para a psicologia social. Algo semelhante pode ser dito sobre as contribuições de sociólogos como Stouffer e Merton ao uso do conceito de grupo de referência, uma tradição que começou há tempo por sociólogos como William Graban Summer e Charles Horton Cooley.

Durante o período analisado no capítulo 5, houve diferentes eventos que levaram a uma maior pluralidade da psicologia social. No campo da filosofia e da sociologia da ciência, a crise do neopositivismo foi associada ao surgimento de novas abordagens a partir das quais o modelo de ciência que havia sido amplamente aceito por décadas foi rejeitado. Como outras ciências sociais, a psicologia social respondeu a essas mudanças com uma forte crise, durante a qual os fundamentos teóricos e metodológicos que até aquele momento haviam sido assumidos foram questionados. Os efeitos dessa crise foram desiguais, e poderíamos falar de diferentes situações que coexistem na atualidade.


A perda da hegemonia do neocondutismo levou a uma reorientação da psicologia para o estudo dos processos cognitivos. Dentro do próprio paradigma comportamental, houve um maior reconhecimento durante a década de 1970 do papel que os processos mentais desempenham como determinantes do comportamento. Um excelente exemplo dessa reorientação está nas contribuições de Bandura.

Depois da crise do behaviorismo, um modelo bastante aceito na psicologia foi o paradigma do processamento de informações. Um enfoque que foi importado, quase inalterado, pela psicologia social durante a década de 1970.


Apesar de a emergência da pesquisa sobre cognição social coincidir com a crise da psicologia social, essa área de estudo permaneceu relativamente inalterável. Teoricamente e metodologicamente, seus postulados são herdeiros do individualismo metodológico e o experimento em laboratório continua sendo o procedimento de estudo fundamental. Seu nível de análise é claramente intraindividual. Aqui poderíamos colocar a grande maioria dos estudos sobre atribuição, vieses na atribuição e processamento de informações em psicologia social cognitiva, basicamente de origem norte-americana. Note-se que, durante esse período, os estudos sobre atitudes também foram realizados sob essa perspectiva, graças ao desenvolvimento das teorias da ação racional e à ação planejada de Icek Ajzen e Martin Fishbein (1936 – 2009).


Deve-se mencionar o desenvolvimento da psicologia social europeia por autores como Serge Moscovici (Braila, 1925 – Paris, 2014) e Henri Tajfel (1919 – 1982), bem como Willem Doise, cujo impacto se deve à ênfase dada à dimensão social do conhecimento e relevância psicossociais de estudos e pesquisas realizadas.

A teoria da identidade de Tajfel, as teorias das representações sociais e minorias ativas de Serge Moscovici, ou as produções sobre o desenvolvimento cognitivo de Willem Doise e seus colaboradores da Escola de Genebra, abriram um campo de pesquisa cada vez mais influente na psicologia social contemporânea. De um nível de análise social (interpessoal e intergrupo) suas respectivas teorias refletem uma clara tentativa de relacionar o desenvolvimento da identidade individual, o conhecimento do senso comum, a mudança social e o desenvolvimento cognitivo com o contexto social. Do ponto de vista metodológico, embora seja admitido o uso de uma metodologia plural, o experimento de laboratório continua sendo o principal instrumento de análise e suporte para sua construção teórica.


É destacável o desenvolvimento de uma série de correntes teóricas, enquadradas na psicologia social pós-moderna, cuja principal característica é a rejeição da concepção positivista da ciência. Embora apresentem diferenças entre si, mantêm certas características comuns, como a adoção de uma abordagem relacional e não representacional da linguagem, a crítica a uma concepção naturalista da ciência e à psicologia social experimental, a ênfase na construção social do conhecimento científico, a rejeição de crenças em critérios universais de validação do conhecimento e a aceitação de que a ciência não é superior a outras formas de conhecimento.


Enquanto assistimos a esses desenvolvimentos na psicologia social realizados no contexto da psicologia, a psicologia social sociológica continuou sendo representada pelo interacionismo simbólico. Um interacionismo simbólico que mostra uma sensibilidade especial pela dimensão simbólica do comportamento social e pela influência da estrutura social na construção da identidade. A figura de Sheldom Stryker é a chave para entender essa maneira de desenvolver as ideias de George Herbert Mead (1863 – 1931). Mas, juntamente com essa abordagem teórica, outras teorias sociológicas são cada vez mais colocadas em um nível de análise psicossociológica. Longe da concepção holística da sociedade e do individualismo metodológico, a teoria da figuração de Norbert Elias, a teoria da estruturação de Anthony Giddens ou a teoria do construtivismo estrutural de Pierre Bourdieu abrem um campo de grande interesse para psicologia social.



Atribuições Profissionais


Conforme o catálogo do CFP, o psicólogo social é aquele que entende o sujeito desde uma perspectiva histórica considerando a permanente integração entre indivíduo e o social. Neste sentido operar como psicólogo social significa desenvolver um trabalho desde esta perspectiva de homem e da sociedade, possibilitando atuar em qualquer área da Psicologia. Detalhamento das Atribuições:


1- Promove estudos sobre características psicossociais de grupos étnicos, religiosos, classes e segmentos sociais nacionais, culturais, intra e interculturais.


2- Atua junto a organizações comunitárias, em equipe multiprofissional no diagnóstico, planejamento, execução e avaliação de programas comunitários, no âmbito da saúde, lazer, educação, trabalho e segurança.


3- Assessora órgãos públicos e particulares, organizações de objetivos políticos ou comunitários, na elaboração e implementação de programas de mudança de caráter social e técnico, em situações planejadas ou não.


4- Atua junto aos meios de comunicação, assessorando quanto aos aspectos psicológicos nas técnicas de comunicação e propaganda.


5- Pesquisa, analisa e estuda variáveis psicológicas que influenciam o comportamento do consumidor.



Referências bibliográficas



ÁLVARO, J.L.; GARRIDO, A. Psicologia Social: perspectivas psicológicas e sociológicas. São Paulo: Mc Graw Hill, 2006.


GABLER, Jay. Sociologia para leigos. Rio de Janeiro, RJ: Alta Books, 2015.


GOODWIN, C. James. História da Psicologia Moderna. Tradução de Marta Rosas. 2ª ed. São Paulo: Cultrix, 2005.


LANE, S. T. M. O que é psicologia social. 22. ed. São Paulo: Brasiliense, 2006.


MYERS, David G. Psicologia Social. 10. ed. Trad. Daniel B., Maria C. M., Roberto C.C. São Paulo: Mc Graw Hill - Artmed, 2014.


TOZONI-REIS, J. R. Família, emoção e ideologia. In: Lane, S. T. M.; Codo, W. (orgs.) Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1984.





Site da Associação Brasileira de Psicologia Social:





Imagem inicial de Gerd Altmann por Pixabay






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