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Uma introdução ao conceito de inteligência emocional.


Conforme Walton (2014), a inteligência emocional é um conjunto de capacidades e habilidades mentais que podem ajudar a pessoa a gerenciar com sucesso a si mesma e às exigências de viver em sociedade.


Em 1990, quando Goleman era repórter de ciência no The New York Times, topou com um artigo em uma pequena revista acadêmica escrito por dois psicólogos, John Mayer, atualmente na universidade de New Hampshire, e Peter Salovey, de Yale. Meyer e Salovey apresentaram a formulação de um conceito de "inteligência emocional" (GOLEMAN, 2011).


Naquela época, a proeminência do QI como critério de excelência na vida era inquestionável; discutia-se acaloradamente se ele estava inscrito em nossos genes ou se era alcançado pela experiência (GOLEMAN, 2011).


Conforme Goleman (1999), as descobertas têm sido impressionantes: a inteligência emocional revelou-se um elemento mais importante do que o QI para proporcionar desempenho profissional destacado. Análises realizadas por dúzias de diferentes especialistas em cerca de 500 corporações, agências governamentais e organizações sem fins lucrativos em todo o mundo chegaram, por vias independentes, a conclusões notavelmente semelhantes.



“Pessoas muito inteligentes podem vir a fazer coisas bastante idiotas” (GOLEMAN).


Do mesmo modo que Mayer e Salovey, Goleman (2011) utilizou a expressão inteligência emocional para sintetizar uma ampla gama de descobertas, unindo ramos diferentes de pesquisa. Ele não só analisou a teoria de Mayer e Salovey, mas também uma grande variedade de outros avanços científicos empolgantes, como os primeiros frutos do campo incipiente da neurociência afetiva, que explora como as emoções são reguladas pelo cérebro.


Goleman (1999) acompanhou as descobertas de ponta em neurociência. Isso o habilitou a propor um modelo de inteligência emocional baseado na ciência do cérebro. A neurociência demonstra de forma cristalina por que a inteligência emocional tem tanta importância.


Os antigos centros cerebrais da emoção abrigam também as habilidades necessárias para conduzirmos nossa própria vida da maneira mais efetiva, e para desenvolvermos nosso sentido de convivência social (GOLEMAN, 1999). O estudo de Reuven Bar-On é uma das provas mais convincentes de que a inteligência emocional reside em áreas cerebrais distintas das do QI (GOLEMAN, 2012).


Goleman (2011) discorre que a expressão inteligência emocional, ou sua abreviação QE, se tornou muito popular aparecendo em lugares tão improváveis quanto em tirinhas e na arte sequencial de Roz Chast na the New Yorker. Goleman diz que já a viu em caixas de brinquedos que dizem aumentar o QE das crianças. Uma vez, ele encontrou uma piadinha sobre QE no rótulo de um xampu.


O conceito de inteligência emocional se espalhou pelos cantos mais distantes do mundo. Conta-se que QE se tornou uma expressão conhecida em línguas tão distintas quanto alemão, chinês, coreano e malaio. Ainda assim, Goleman diz preferir EI, abreviação em inglês para inteligência emocional (emotional intelligence). Ele recebe perguntas na caixa de e-mail sobre inteligência emocional de várias partes do mundo (GOLEMAN, 2011).


Goleman (2021) expõe que mais gratificante para ele é a maneira como o conceito foi ardentemente abraçado pelos educadores na forma de programas de "aprendizado social e emocional", ou SEL (social and emotional learning). Nos idos de 1995, havia apenas um punhado desses programas ensinando habilidades de inteligência emocional a crianças.


Atualmente, dezenas de milhares de escolas em todo o mundo oferecem SEL às crianças. Hoje em dia, nos Estados Unidos, o SEL é requisito curricular em vários distritos, e até mesmo em estados inteiros, exigindo que os alunos, da mesma forma que precisam alcançar um determinado nível de competência em matemática e linguagem, dominem essas fundamentais aptidões para a vida (GOLEMAN, 2011).


Em Illinois, por exemplo, modelos específicos de aprendizagem em habilidades de SEL vêm sendo estabelecidos em todas as séries, desde o jardim-de-infância até o último ano do ensino médio. Tomando apenas um exemplo de modelo curricular notavelmente detalhado e abrangente, nos primeiros anos do ensino fundamental, os alunos devem aprender a reconhecer e classificar com precisão seus sentimentos e como eles os levam a agir (GOLEMAN, 2011).


Nesse modelo, nas séries do segundo ciclo fundamental, as atividades de empatia devem tornar a criança capaz de identificar as pistas não-verbais de como outra pessoa se sente; nos últimos ciclos do fundamental, elas devem ser capazes de analisar o que gera estresse nelas ou o que as motiva a ter desempenhos melhores. E no ensino médio, as habilidades incluem ouvir e falar de modo a solucionar conflitos em vez de agravá-los e negociar saídas em que todos ganhem (GOLEMAN, 2011).


Goleman (2011) enuncia que, em 1995, esboçou as evidências preliminares que sugerem que o SEL era um ingrediente ativo nos programas que aperfeiçoam a aprendizagem da criança evitando problemas como a violência. Agora é possível afirmar cientificamente: ajudar as crianças a aperfeiçoar sua autoconsciência e confiança, controlar suas emoções e impulsos perturbadores e aumentar sua empatia resulta não só em um melhor comportamento, mas também em uma melhoria considerável no desempenho acadêmico.


Uma grande surpresa para Goleman foi o impacto do QE no mundo dos negócios, principalmente nas áreas de liderança e desenvolvimento de colaboradores. Hoje em dia, as empresas de todo o mundo olham rotineiramente através das lentes do QE para contratar, promover e desenvolver seus colaboradores (GOLEMAN, 2011).


Goleman (2015) diz que o QI é sem dúvida importante para lidar com a complexidade cognitiva de profissões como medicina, direito ou contabilidade, ou para ser um executivo de alto nível. No entanto, na hora de prever quem dentre essas pessoas inteligentes irá emergir como a mais produtiva, o melhor membro de equipe ou um líder destacado, a inteligência emocional passa a ter mais importância.


Um dado sugere que o QI é responsável por 20% do sucesso profissional. O fato de esta estimativa (e é só uma estimativa) deixar uma grande parcela do sucesso sem esclarecimento nos leva a buscar outros fatores para explicar o restante. No entanto, isto não significa que a inteligência emocional representa todos os outros fatores do sucesso: eles certamente compreendem uma gama muito ampla de forças (GOLEMAN, 2011).


Goleman (1999) discorre que nosso nível de inteligência emocional não está fixado geneticamente nem se desenvolve apenas no começo da infância. Ao contrário do QI, que pouco se modifica depois dos nossos anos de adolescência, tudo indica que a inteligência emocional pode ser, em grande parte, aprendida e continuar a se desenvolver no transcorrer da vida, com as experiências que acumulamos.


Cada um de nós possui um perfil próprio de inteligência emocional. Uma pessoa se sai melhor num ponto e outra noutro e ambas podem buscar se desenvolver naquilo que não se saem tão bem.


Nossa inteligência emocional determina nosso potencial para aprender as habilidades práticas que estão baseadas em cinco elementos: autopercepção, motivação, auto-regulação, empatia e aptidão natural para os relacionamentos (Goleman, 1999).




Abaixo, um episódio do canal ResumoCast sobre o livro Inteligência Emocional de Goleman.





Referências bibliográficas



GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Tradução de Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.


GOLEMAN, D. Liderança: a inteligência emocional na formação do líder de sucesso. Tradução de Ivo Korytowski. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.


GOLEMAN, D. O cérebro e a inteligência emocional: novas perspectivas. Tradução de C. Leite da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.


GOLEMAN, D. Trabalhando com a inteligência emocional. Tradução de M. H. C. Côrtes. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.


WALTON, D. Inteligência emocional: um guia prático. Porto Alegre: L&PM, 2014.



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